sexta-feira, 1 de julho de 2011

AMOR AGORA



Sabe aqueles amores de filme? Pois é baby, não adianta tentar fazer igual. A realidade é uma bem diferente daquilo. É claro que todo mundo acha lindo e quer que aconteça em sua vida, mas não adianta esperar. Na vida real o tempo passa de outro modo. Os momentos de afago e carinho são bem menores e os de contas, trabalho e cansaço são bem maiores.

Aí vão me criticar, dizer que não tenho sentimentos, que sempre fui assim e quando criança dava pra perceber pelo meu jeito autoritário e esquivo diante dos beijos e abraços . Mas, ao contrário do que podem pensar, eu não quero destruir o Amor. Só quero mostrar sua existência de uma forma diferente nas nossas vidas. Pode estar nos pequenos gestos mudos, nos segundos entre os deveres do cotidiano.

Existe amor numa lembrança; na atitude de abdicar de algo que se quer para que o outro desfrute, mesmo sem ele perceber; na organização da casa; no calar diante de um bom motivo para brigar... quer dizer, a gente ama principalmente quando ninguém nota ou dá importância. Está aí o verdadeiro Amor. Não este, absurdamente em moda, de gritar aos quatro cantos , da possessividade de controlar as ligações, mensagens, atitudes e horários da S-U-A pessoa predileta. O silêncio às vezes demonstra muito mais sentimento que o alarde.

Faço minhas, então, as palavras de Quintana:

"Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda..."

terça-feira, 21 de junho de 2011

As minhas flores



Essas flores aqui são pra tentar ser um jardim. Queria que do meu corpo inteiro brotassem flores das mais variadas espécies, dumas que ninguém conhecesse. Seria bom que somente eu as tivesse, nas costas, nos braços, nas mãos e nos olhos. Daí quando viessem me perguntar de onde surgiram, somente eu poderia inventar as origens, seus significados e seus cheiros. Ensinaria a todos que cada uma se sente de uma forma diferente, assim como os cheiros das pessoas e das coisas. Uma sensação única.

Dessas espécies cuidaria com o maior zelo. Acariciaria cada uma delas como se fossem vários amantes, negros, brancos, amarelos e incolores. A terra fértil, minha pele, jamais deixaria que desaparecessem, pois nos desenhos do meu corpo teriam todo o alimento necessário. De mim receberiam o amor mais verdadeiro e não me feririam com seus espinhos desenhados, pois não se encorajariam para fazer mal à minha pele parda.

Essas flores aqui são pra tentar ser um jardim. Espero que elas cresçam e me tomem por completo.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Lua CHEIA



Aquela Lua hipnotizou de um jeito,que só podia olhá-la. Refletindo seu branco cada vez mais espalhado pelo preto do mar. Ela ficava mais distante, mas sugava tudo para dentro de si. Assim como quem não se importa com ninguém.

Do outro lado havia um veleiro iluminado, que seguia para dentro e lentamente fazia sua rota, de não sei pra onde ir. Luzes vermelhas e amarelas, tão alegres que se via de muito longe. Ele terminou por sumir, sem nenhuma satisfação.

Por alguns instantes fiquei melhor, esqueci o que me fazia cansada, deixei-me ir junto com eles, junto com quem estava ao meu lado, segurando minha mão e livrando o meu corpo daquele vento frio. E fomos só nós quatro por um momento.

Então percebi que há como escapar. Há como acalmar-se por algum tempo. É só olhar pra cima com atenção. Só fechar os olhos e respirar fundo, que ficamos prontos para começar tudo de novo.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010








É bem verdade que nos lembramos, às vezes, do que já passou bem longe. Não importa se as pessoas nos fizeram mal e deixaram uma marca estranha no nosso rosto ou no nosso peito. Em algum momento lembramos delas.

Se há saudade até do pouco que conhecemos, por que não haver do muito que soubemos, ou pensamos saber, de alguém que olhávamos com tanta atenção. Mesmo que tenha acabado já essa visão, lembramos de um andar, um sorriso, um jeito. Não somos nós quem mandamos nas imagens que se formam em nossas mentes, ela reconhece movimentos já vistos e compara-os com o que vemos em certos instantes.

E nos privar disso tudo é besteira. Quem existiu em nossas vidas, existirá para sempre.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

LISPECTOR, Clarice. Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres. Rio de Janeiro:Rocco, 1998.





" Ajoelhou-se trêmula junto da cama, pois era assim que se rezava e disse baixo, severo, triste, gaguejando sua prece com um pouco de pudor: alivia minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar não é morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária , faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer um beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma senão não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora da morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém."

Clarice Lispector

Lá em cima



Aquele pássaro no último galho, distante, não se sente bem. Cheio de vertigens, dá pra ver. Longe dos outros não consegue voar alto.

Seu canto é como um choro, baixinho, numa nota só. Você está cansado, passarinho, posso ver. Porque sua casa já não é mais..., seu céu já não é mais..., suas flores já não são mais...

Mas se sua árvore cair, estou ainda aqui,mesmo que não consiga ajudar. Estou aqui só para olhar vocÊ chorar sem dizer nada. Porque o meu choro se parece com o seu, baixinho, numa nota só.

Também estou no alto, lá no último andar. E ninguém percebe. Essas coisas de gente são estranhas demais, passarinho. Eu queria era voar! Quem sabe me perdia por aí pra nunca mais me achar!


Gabriela Simões

sábado, 21 de agosto de 2010

Para um





Nessa dança toda nem tinha percebido. Para ele, é pouco mais que um envolver-se entre pernas e apertos. Pouco mais, nada tão além. Pensava nele como criança ainda, naquele faz tempo que achava engraçado.

Mas ele cresceu e esqueceu daquela outra imagem dela. Tomou para si a visão de um corpo pra se ter às escondidas, ter prazer e tomar com força. Uma coisa bruta que palavra não consegue relatar.

Foi estranho quando viu seus olhos grandes diferentes, cheios de uma vontade que não dizia nada. Nada que lhe interessasse. Porque já sabia que não havia caminho nenhum pra voltar à cena da infância, tão calma e inocente.

Perdeu a graça. Ficou escuro. Virou só carne. Passou o tempo. Deixou a marca. Jogou fora. Gastou com o vento. Esqueceu e fim. Deixa pra lá!

Gabriela Simões

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Falar não é fácil


Eu nunca soube dizer, asssim com palavras saídas da minha boca, tudo o que sinto. Minhas mesmo, só saem palavras das mãos, tão mudas e lentas, quase sem conseguir mostrar-se. Acho até engraçado, mas às vezes incomoda também.

E tenho um par tão doce como nunca consegui ser. Daqueles que se entregam sem medo,de olhos fechados, braços abertos e cuidados mil. Na verdade tenho muita inveja dele.

Não aprendi a dizer que posso aceitar o seu "eu te amo" encabulado, que posso cuidar como nunca fui cuidada, que posso afagar os seus cabelos como nunca me acariciaram, que posso fazer tudo novo pra aprender a ser doce de verdade. Ainda não aprendi...


Gabriela Simões

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O outro



A casa vazia mete um medo danado na gente. Você procura nos outros cÔmodos, chama e o eco do corredor parece maior, já que só você escuta. Os outros apartamentos parecem tão lotados e mais felizes do que o seu.

A comida não tem muita graça, a televisão é só para mudar os canais sem parar, o quarto é de uma imensidão terrível e a cama cresce a cada sono. A organização insistente dos objetos pede um irmão, pra ter com quem brigar, ao menos.

Solidão descontrola as coisas. O prumo está em acordar com o barulho da casa, chamar pra ficar junto, brigar para não lavar a louça, correr o dia inteiro e à noite encontrar alguém esperando no sofá.

Nem que sejam milhares as brigas e pazes, não nascemos para ficar desacompanhados. Nem que sejam dezenas os amores durante a vida, não nascemos para viver desacompanhados.

Quem vai esquentar nossos pés nos dias de chuva, abraçar o nosso corpo, desenhar sorrisos e lágrimas no nosso rosto pra que aprendamos a ser fortes, nos ensinar a caminhar em cada fase da vida, empurrar-nos para que aprendamos a voar sozinhos? QUEM?

São as nossas companhias que nos ensinam a viver. Para cada momento há uma delas que se encaixa perfeitamente. Para cada pontilhado há uma que pegue na nossa mão e nos ajude a cobrir para a letra ficar FIRME.

Gabriela Simões

terça-feira, 15 de junho de 2010

Faxina







Às vezes a alma também carece de uma rearrumação. Trocar as lembranças de lugar, tirar a poeira, varrer debaixo dos pés parados,vasculhar a cabeça, trocar as roupas e companhias... Tudo reflexo da nossa faxina de alma.

Quando nos damos conta de que chega uma nova fase devemos limpar-nos do que não nos serve mais e abrir as janelas-olhos e as portas-peitos pra que o ar renovado entre.

Comprar um caderno novo,muito branco, pra escrever os próximos capítulos; despir o corpo e abrir os braços pra aceitar quem estiver lá fora, quase cansando de esperar; mexer com tudo pra ser um novo-todo-completo, até quando a outra faxina vier.


Gabriela Simões

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Altar Particular




Meu bem,
que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
No teu penoso altar particular

Sei lá,
a tua ausência me causou o caos
No breu de hoje eu sinto que
O tempo da cura tornou a tristeza normal

E então, tu tome tento com meu coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós

Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós

Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver, como se deve ser

Ou então, dizer que dele resolveu cuidar
Tirar da cruz e o canonizar
Digo faço melhor do que lhe parecer

Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor

Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio
esperando a resposta ao que chamo de amor

(Maria Gadú)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Posso ser...





Eu sou um barco, que vai e volta pelos rios e mares, águas sujas, águas limpas.Mas me perco sempre pelos mesmos caminhos.Não consigo controlar muito bem minha vela. É o que parece ser.

Eu sou um rio, que afoga os outros e se arrepende quando vira tudo um breu só, seja no céu, seja no mar. Posso ir calmo, acalentando corpos e faces lisas e limpas. Posso ir correndo, só pra satisfazer um desejo efêmero.

Eu sou um pescador, que vai tirando das águas seu alimento, tão cansado e tão forte como o animal que sofre em suas mãos. Chego quase do mesmo jeito que saí. Está tudo bem.

Eu sou um peixe-camaleão, tão colorido como eu só, tão uno como um par bem feito. Nado despreocupado sem me importar com a dor que sentirei na boca e no peito, depois, quando vierem me avisar da chegada do fim.

Gabriela Simões

terça-feira, 11 de maio de 2010

ama é?






Desculpe, mas não acredito nesses amores tão grandes que surgem em poucos dias. Em tantos EU TE AMO que aparecem não-sei-de-onde para tomar conta das línguas, dos recados, dos telefones e principalmente de todos os diminutivos possíves, imagináveis e inimagináveis também.

Não me diga eu te amo assim como quem troca de par, como quem muda a roupa,como quem caminha. Essas coisas não existem sem que haja tempo. Amor é como uma semente regada.. clichê,mas verdade. Dois ou três dias nãooo! Tempo mesmo, que valha a pena contar.

Acredito no amor. Não acredito no amor. Amor existe na minha mãe,que faria qualquer coisa por mim; no meu irmão, que cuida de mim como se uma parte do seu corpo fosse eu; no meu amigo que diz a verdade na minha cara pra eu acordar e crescer.

Deculpe, mas não acredito mesmo nesse amor de EU TE AMO vir só do CORPO, sem vir do ESPÍRITO.

domingo, 25 de abril de 2010

Una bellisima canción! ^^


Pero me acuerdo de ti

Ahora que ya mi vida se encuentra normal
que tengo en casa quien sueña con verme llegar
Ahora puedo decir que me encuentro de pie
Ahora que me va muy bien

Ahora que con el tiempo logré superar
aquel amor que por poco me llega a matar
Ahora ya no hay mas dolor
Ahora al fin vuelvo a ser yo

Pero me acuerdo de ti
Y otra vez pierdo la calma
Pero me acuerdo de ti
y se me desgarra el alma

Pero me acuerdo de ti
y se borra mi sonrisa
Pero me acuerdo de ti
y mi mundo se hace trizas

Ahora que mi futuro comienza a brillar
ahora que me han devuelto la seguridad
Ahora ya no hay mas dolor
Ahora al fin vuelvo a ser yo

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Cheirar


O cheiro. Que sensação estranha temos quando sentimos o cheiro das coisas, das pessoas,dos lugares. Cada um tem o seu, em particular. Pra mim,por exemplo,quando criança, a escola tinha cheiro de borracha ou de biscoito saído da lancheira; a cidadezinha do interior cheirinho de terra, festa e descanso; os meus amigos, cada um com seu perfume, forte ou fraco, dulcíssimo ou seco, como o meu. Até quem não se perfuma tem o seu, depende de quem cheira.


A casa da avó cheira a sabonete de flores, aconchego. O quarto do irmão cheira forte; o da mãe uma mistura, dela com o pai, na medida certa. Diferente da casa do namorado, tão cheirosa a desejo, confundindo suas cores! Já a casa dos amigos cheira a confidência. A dos primos a gargalhadas escancaradas.


Enfim...Sentimos o cheiro de tudo o que vemos, ouvimos, fazemos. Na nossa mente estão guardados todos eles. E ainda virão muitos ao longo da vida!


quinta-feira, 8 de abril de 2010

FACA DE PONTA




Eu cansei de olhar pra trás... O tempo fala
amor, eu vou ficar
Quero a rosa branca, amor
faca de ponta não quero jamais!

Faca de ponta não quero mais
Quero a viola pra cantar com o meu amor

Quando as rosas falam
amor, seus olhos falam mais pra me mostrar
Que na cama de nós dois “Samba e amor” há de sempre tocar.


(Letícia Persilles)




















Quem apontava o caminho certo, depois das pedras e depois do mar se perdeu. Dividiu demais a parte do céu, a parte do mar, a parte da areia e as outras todas. Disse que branco de nuvem não se mistura com branco de espuma de onda; que verde embaixo não pode ser feito azul de cima.

Di-vi-diu-de-mais...

E foi-se embora, meio torto, pra teimar com mais ninguém daqui. Quem sabe tudo a toda hora termina sabendo nada, nada demais.

Ora! Tentar explicar essa confusão!
Pra que? Afinal, tudo se mistura mesmo, não é ?



^^

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Bem




A gente se tem nas horas boas, quando está tudo bem e tranquilo. Está bom assim. É um abraço sincero que envolve minhas partes todas e quase chega a fazer não faltar mais nada.


A gente se tem só nas horas boas, quando felizes e despreocupados. E chamamos um o nome do do outro pra nada, só pra sorrir da bobagem.


A gente se tem bem demais assim em partes, quando precisa, vez enquando, quando der, quando couber...


Às vezes fogo, às vezes aconchego, às vezes amizade, às vezes paixão, pra espantar o ser só, pra dispersar, pra ser feliz por alguns momentos e depois lembrar mil vezes.


A gente se tem SÓ nas horas boas.

A gente se tem, SOZINHOS, nas horas boas.






^^

quinta-feira, 25 de março de 2010

Às vezesa gente pensa:

Não é nada com vocÊ, só não há quase nada para você em mim.

... E quase nada é pequeno e triste demais pra nós.

...Depois volta atrás...










E não entende.

domingo, 21 de março de 2010

Lounge


Vamos pra um lounge
Beber um vinho safra ruim
E conversar sobre a TV
Vamos pra longe

Sem se tocar os olhos vão

Se encontrar e se perder


Eu e você assim de perto dá

Pra eu me perder de vez nas tuas tintas
Me dê uma noite um pouco da manhã

Só pra eu sacar se os olhos mudam de cor


Vamos entrar

A minha casa não é quente

Trago o vermelho pra esquentar

Vamos suar

Com o veneno da serpente

Que eu roubei pra te picar


Eu e você assim de perto dá

Pra eu me perder de vez nas tuas tintas

Me dê uma noite um pouco da manhã
Só pra eu sacar se os olhos mudam de cor