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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Altar Particular




Meu bem,
que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
No teu penoso altar particular

Sei lá,
a tua ausência me causou o caos
No breu de hoje eu sinto que
O tempo da cura tornou a tristeza normal

E então, tu tome tento com meu coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós

Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós

Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver, como se deve ser

Ou então, dizer que dele resolveu cuidar
Tirar da cruz e o canonizar
Digo faço melhor do que lhe parecer

Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor

Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio
esperando a resposta ao que chamo de amor

(Maria Gadú)

domingo, 21 de março de 2010

Lounge


Vamos pra um lounge
Beber um vinho safra ruim
E conversar sobre a TV
Vamos pra longe

Sem se tocar os olhos vão

Se encontrar e se perder


Eu e você assim de perto dá

Pra eu me perder de vez nas tuas tintas
Me dê uma noite um pouco da manhã

Só pra eu sacar se os olhos mudam de cor


Vamos entrar

A minha casa não é quente

Trago o vermelho pra esquentar

Vamos suar

Com o veneno da serpente

Que eu roubei pra te picar


Eu e você assim de perto dá

Pra eu me perder de vez nas tuas tintas

Me dê uma noite um pouco da manhã
Só pra eu sacar se os olhos mudam de cor