sexta-feira, 29 de janeiro de 2010


Esgueiro-me por entre a pedra e a nuvem:
belas cidades, deixai-me passar.
Ai dos meus encontros!
Por esses encontros, esgueiro-me, fujo
por entre palavras, por entre pessoas.
Ai dos meus encontros!
Que encontros são esses? Com quem? e quando?
Comigo. No sempre dos longes e pertos.
Ai dos meus encontros!
Deixai-me passar!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Sabe, se for por isso, eu também tenho um jaleco!


Quantos dos seus amigos escolheram usar jalecos? Dentre os meus foram muitos. Eles querem ser observados de branco pelos corredores dos hospitais ou, até mesmo, pelas ruas, por onde deveriam andar com suas roupas coloridas e comuns. Infelizmente é nisso que pensa primeiro a maior parte deles.

Ah! É claro que também desejo ganhar dinheiro! Quem seria hipócrita dizendo não desejá-lo? Eu não! Só que acontece que não há um único caminho para conseguir ser, não digo rico, digo GRANDE, digo percebido como IMPORTANTE. Quantos desses seriam tão melhores poetas, dançarinos, jornalistas, matemáticos, músicos... mas sufocam seus dons e colocam em seu lugar a invenção de um DR. abrilhantando o seu antigo nome.

Longe de mim dizer-lhes que são desimportantes, porque realmente não são, se fazem bem sua função. Porém agora também quero gritar pra todos: EU TAMBÉM TENHO UM JALECO, MAS NELE TEM BORDADO: PROFESSOR! E é nesse peito que bato e grito orgulho, pois EU escolhi minha profissão. Porque é absurdamente fascinante, para mim, perceber que posso ser um degrau para alguém subir e enxergar melhor. É como salvar uma vida, compor uma sinfonia, defender uma causa...

DEIXEMOS DE LADO ESSA HISTÓRIA DE UM SER MAIS IMPORTANTE DO QUE O OUTRO! ISSO NÃO EXISTE!

Injetem medicinas, saberes, poesia, luz, informação, proteção... Porque todos nós somos importantes, cada um no seu devido lugar ( no lugar certo!!). Faça o que veio para fazer, não pense, não se importe com a cor da sua farda, note que vidas podem ser salvas de muitas maneiras.

REFLITA UM POUCO E SE DARÁ CONTA DE TODAS ELAS!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ei !




















Eu vou ser o seu melhor amigo
Porque o nosso PRA SEMPRE
Não é de mais ninguém,
Tão plural-possessivo.

Todas as vezes que nos abraçamos
Quero nem saber de rimas ou regras,
Pois nunca vai ser igual ou parecido,
Já que os nossos olhos mudam a cada reencontro.

Quando você me disser pra sumir
Eu vou cantar a sua música favorita
Pra acabar logo com a desavença
Porque mesmo de olhos fechados sei de cor cada pedaço seu.

Nossos sonhos vou guardar
Pra lembrar como fomos loucos um dia,
Nossas fugas numa caixa
Pra concretizá-las quando estivermos prontos.

Ei! É o seu o abraço preferido,
O de mais calor,
O de mais cor,
O de mais amor!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Capitu




Na pele de Capitu,
dona de olhos oblíquos e dissimulados,
conquistaria os seus olhos negros
e os teria para sempre
a olhar para mim.

Você me admiraria tão devotamente
que mais nada nem ninguém importaria.
E todas as flores que me desse
serviriam suas pétalas
para acariciar o seu corpo.

Outro nem me despertaria desejo.
Não haveria Escobar ou qualquer outro.
Para mim só existiriam seus braços, abraços e sorrisos
a me encantar, fazendo minha mente dançar
por outros mundos.

Com o corpo de Capitu,
nenhum medo existiria para mim
e eu seria bem melhor.
Grande, a abaixar a cabeça
para ganhar o seu beijo.

E você trançaria meus cabelos
pra que eu viajasse lívida
ao sentir suas mãos
passearem pelos fios longos e desgrenhados.
Como eu queria ser Capitu!

Mas eu sou Gabriela.
Sem cravo, canela ou poder de sedução.
Sou Gabriela,
que só escreve e não fala nada.
Gabriela, Capitu não.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Às vezes eu vejo o Amor



No rítmo, sem mudanças repentinas, a segurança parecia ter aportado no seu cais. Era a sua vida um mar de águas mansas e azuis - porque ela pensava ser - e seus olhos estavam fechados para imperfeições. Era aquela arvorezinha em cima da pedra, rodeada por uma imensidão tranquila. Pensava enfim ter achado o caminho que procurava.

Num dia comum, o mar branqueou e se revoltou em volta da árvore pequena. Ondas imensas caiam e ganhavam cada vez mais força para derrubar o que ela acreditava ser concreto. Novamente chegou ao seu peito aquele amor que não havia acabado, estava só guardado na última gaveta, debaixo das caixas de música. Um sentir que ela observava todos os dias, porém deixava latejar, já que não era uma dor incômoda, apesar de constante, tornara-se suportável.

Complicado era porque ele falava tudo o que ela precisava ouvir. Foi só ele quem disse... O que parecia Shakespeare ou Buarque susurrando ao pé do ouvido... Sim! Ele falou lhe amar! E se pareciam tanto as músicas, os erros e as tristezas. E voltou para dizer-lhe que esperaria o tempo que fosse para continuar sua história, do ponto em que pararam.

E um medo se apossou da mente, tão acostumada a estar fincada ao chão. Ela parecia ter reaprendido a voar e ver como antes. Do chão, nunca se permitiu ver o laranja do sol se juntar e ao mesmo tempo ser sufocado pelo mar. Um medo extasiante, pois se sentia importante...

Ponderou, calou, pediu uma chance a si mesma para ser mais feliz. Ela não sabia o que fazer. Não! Não sabia! Mesmo escutando todas as suas músicas e relendo todos os seus papeis guardados. Acreditava que havia um sentimento real naquela situação sufocante e linda, mas nem é assim que se fazem as coisas, num de repente.

Então ela esperou que chegasse para buscá-la, esperou para ver se realmente aconteceria algo ou novamente pararia tudo pela metade. Esperou calada, parada, com os olhos vidrados nele.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Homem não chora


Homem não chora
Nem por dor
Nem por amor
E antes que eu me esqueça
Nunca me passou pela cabeça
Lhe pedir perdão
E só porque eu estou aqui
Ajoelhado no chão
Com o coração na mão
Não quer dizer
Que tudo mudou
Que o tempo parou
Que você ganhou

Meu rosto vermelho e molhado
É só dos olhos pra fora
Todo mundo sabe
Que homem não chora
Esse meu rosto vermelho e molhado
É só dos olhos pra fora
Todo mundo sabe
Que homem não chora

Homem não chora
Nem por ter
Nem por perder
Lágrimas são água
Caem do meu queixo
E secam sem tocar o chão
E só porque você me viu
Cair em contradição
Dormindo em sua mão
Não vai fazer
A chuva passar
O mundo ficar
No mesmo lugar

Meu rosto vermelho e molhado...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Duas tatuagens


Num bar escuro e lotado
Os dois procuravam distração.
Ela havia partido o coração,
Ele já estava muito cansado.
Não que ela também não estivesse.

Acharam um no outro
Uma saída fácil pra esquecer
A dor que crescia como monstro
Dentro dos peitos prontos para se aquecer.
E cada um que mais quisesse.

Música, mãos e quadris.
Olhos, bocas, codinomes.
Tudo o que ela nunca quis.
Naquela noite dois insones...
Nada que não se esquecesse.

A noite acabou rápido,
Dormiram tranquilos e sóbrios.
Ela olhou no espelho seu rosto pálido,
Ele recolheu-se com seu sorriso e vazio próprios.
Antes que a-manhã chegasse.

E depois caminharam separados,
Um em cada calçada.
Conseguiram livrar-se dos cansaços
Sem deixar marca visível tatuada...
Mas, olhando bem, a tatuagem era coisa que na alma se enxergasse.