terça-feira, 3 de agosto de 2010

Falar não é fácil


Eu nunca soube dizer, asssim com palavras saídas da minha boca, tudo o que sinto. Minhas mesmo, só saem palavras das mãos, tão mudas e lentas, quase sem conseguir mostrar-se. Acho até engraçado, mas às vezes incomoda também.

E tenho um par tão doce como nunca consegui ser. Daqueles que se entregam sem medo,de olhos fechados, braços abertos e cuidados mil. Na verdade tenho muita inveja dele.

Não aprendi a dizer que posso aceitar o seu "eu te amo" encabulado, que posso cuidar como nunca fui cuidada, que posso afagar os seus cabelos como nunca me acariciaram, que posso fazer tudo novo pra aprender a ser doce de verdade. Ainda não aprendi...


Gabriela Simões

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O outro



A casa vazia mete um medo danado na gente. Você procura nos outros cÔmodos, chama e o eco do corredor parece maior, já que só você escuta. Os outros apartamentos parecem tão lotados e mais felizes do que o seu.

A comida não tem muita graça, a televisão é só para mudar os canais sem parar, o quarto é de uma imensidão terrível e a cama cresce a cada sono. A organização insistente dos objetos pede um irmão, pra ter com quem brigar, ao menos.

Solidão descontrola as coisas. O prumo está em acordar com o barulho da casa, chamar pra ficar junto, brigar para não lavar a louça, correr o dia inteiro e à noite encontrar alguém esperando no sofá.

Nem que sejam milhares as brigas e pazes, não nascemos para ficar desacompanhados. Nem que sejam dezenas os amores durante a vida, não nascemos para viver desacompanhados.

Quem vai esquentar nossos pés nos dias de chuva, abraçar o nosso corpo, desenhar sorrisos e lágrimas no nosso rosto pra que aprendamos a ser fortes, nos ensinar a caminhar em cada fase da vida, empurrar-nos para que aprendamos a voar sozinhos? QUEM?

São as nossas companhias que nos ensinam a viver. Para cada momento há uma delas que se encaixa perfeitamente. Para cada pontilhado há uma que pegue na nossa mão e nos ajude a cobrir para a letra ficar FIRME.

Gabriela Simões

terça-feira, 15 de junho de 2010

Faxina







Às vezes a alma também carece de uma rearrumação. Trocar as lembranças de lugar, tirar a poeira, varrer debaixo dos pés parados,vasculhar a cabeça, trocar as roupas e companhias... Tudo reflexo da nossa faxina de alma.

Quando nos damos conta de que chega uma nova fase devemos limpar-nos do que não nos serve mais e abrir as janelas-olhos e as portas-peitos pra que o ar renovado entre.

Comprar um caderno novo,muito branco, pra escrever os próximos capítulos; despir o corpo e abrir os braços pra aceitar quem estiver lá fora, quase cansando de esperar; mexer com tudo pra ser um novo-todo-completo, até quando a outra faxina vier.


Gabriela Simões

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Altar Particular




Meu bem,
que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
No teu penoso altar particular

Sei lá,
a tua ausência me causou o caos
No breu de hoje eu sinto que
O tempo da cura tornou a tristeza normal

E então, tu tome tento com meu coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós

Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós

Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver, como se deve ser

Ou então, dizer que dele resolveu cuidar
Tirar da cruz e o canonizar
Digo faço melhor do que lhe parecer

Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor

Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio
esperando a resposta ao que chamo de amor

(Maria Gadú)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Posso ser...





Eu sou um barco, que vai e volta pelos rios e mares, águas sujas, águas limpas.Mas me perco sempre pelos mesmos caminhos.Não consigo controlar muito bem minha vela. É o que parece ser.

Eu sou um rio, que afoga os outros e se arrepende quando vira tudo um breu só, seja no céu, seja no mar. Posso ir calmo, acalentando corpos e faces lisas e limpas. Posso ir correndo, só pra satisfazer um desejo efêmero.

Eu sou um pescador, que vai tirando das águas seu alimento, tão cansado e tão forte como o animal que sofre em suas mãos. Chego quase do mesmo jeito que saí. Está tudo bem.

Eu sou um peixe-camaleão, tão colorido como eu só, tão uno como um par bem feito. Nado despreocupado sem me importar com a dor que sentirei na boca e no peito, depois, quando vierem me avisar da chegada do fim.

Gabriela Simões

terça-feira, 11 de maio de 2010

ama é?






Desculpe, mas não acredito nesses amores tão grandes que surgem em poucos dias. Em tantos EU TE AMO que aparecem não-sei-de-onde para tomar conta das línguas, dos recados, dos telefones e principalmente de todos os diminutivos possíves, imagináveis e inimagináveis também.

Não me diga eu te amo assim como quem troca de par, como quem muda a roupa,como quem caminha. Essas coisas não existem sem que haja tempo. Amor é como uma semente regada.. clichê,mas verdade. Dois ou três dias nãooo! Tempo mesmo, que valha a pena contar.

Acredito no amor. Não acredito no amor. Amor existe na minha mãe,que faria qualquer coisa por mim; no meu irmão, que cuida de mim como se uma parte do seu corpo fosse eu; no meu amigo que diz a verdade na minha cara pra eu acordar e crescer.

Deculpe, mas não acredito mesmo nesse amor de EU TE AMO vir só do CORPO, sem vir do ESPÍRITO.

domingo, 25 de abril de 2010

Una bellisima canción! ^^


Pero me acuerdo de ti

Ahora que ya mi vida se encuentra normal
que tengo en casa quien sueña con verme llegar
Ahora puedo decir que me encuentro de pie
Ahora que me va muy bien

Ahora que con el tiempo logré superar
aquel amor que por poco me llega a matar
Ahora ya no hay mas dolor
Ahora al fin vuelvo a ser yo

Pero me acuerdo de ti
Y otra vez pierdo la calma
Pero me acuerdo de ti
y se me desgarra el alma

Pero me acuerdo de ti
y se borra mi sonrisa
Pero me acuerdo de ti
y mi mundo se hace trizas

Ahora que mi futuro comienza a brillar
ahora que me han devuelto la seguridad
Ahora ya no hay mas dolor
Ahora al fin vuelvo a ser yo