
A casa vazia mete um medo danado na gente. Você procura nos outros cÔmodos, chama e o eco do corredor parece maior, já que só você escuta. Os outros apartamentos parecem tão lotados e mais felizes do que o seu.
A comida não tem muita graça, a televisão é só para mudar os canais sem parar, o quarto é de uma imensidão terrível e a cama cresce a cada sono. A organização insistente dos objetos pede um irmão, pra ter com quem brigar, ao menos.
Solidão descontrola as coisas. O prumo está em acordar com o barulho da casa, chamar pra ficar junto, brigar para não lavar a louça, correr o dia inteiro e à noite encontrar alguém esperando no sofá.
Nem que sejam milhares as brigas e pazes, não nascemos para ficar desacompanhados. Nem que sejam dezenas os amores durante a vida, não nascemos para viver desacompanhados.
Quem vai esquentar nossos pés nos dias de chuva, abraçar o nosso corpo, desenhar sorrisos e lágrimas no nosso rosto pra que aprendamos a ser fortes, nos ensinar a caminhar em cada fase da vida, empurrar-nos para que aprendamos a voar sozinhos? QUEM?
São as nossas companhias que nos ensinam a viver. Para cada momento há uma delas que se encaixa perfeitamente. Para cada pontilhado há uma que pegue na nossa mão e nos ajude a cobrir para a letra ficar FIRME.
Gabriela Simões