domingo, 15 de novembro de 2009

Cachaça Mecânica


Vendeu seu terno
Seu relógio e sua alma
E até o santo
Ele vendeu com muita fé
Comprou fiado
Pra fazer sua mortalha
Tomou um gole de cachaça
E deu no pé...

Mariazinha
Ainda viu João no mato
Matando um gato
Prá vestir seu tamborim
E aquela tarde
Já bem tarde, comentava
Lá vai um homem
Se acabar até o fim...

João bebeu
Toda cachaça da cidade
Bateu com força
Em todo bumbo que ele via
Gastou seu bolso
Mas sambou desesperado
Comeu confete
Serpentina
E a fantasia...

Levou um tombo
Bem no meio da avenida
Desconfiado
Que outro gole não bebia
Dormiu no tombo
E foi pisado pela escola
Morreu de samba
De cachaça e de folia...

Tanto ele investiu
Na brincadeira
Prá tudo, tudo
Se acabar na terça-feira...

Vendeu seu terno
E até o santo
Comprou fiado
Tomou um gole
João no mato
Matando um gato
Naquela tarde
Lá vai o homem...

João bebeu
Toda cachaça da cidade
Bateu com força
Em todo bumbo que ele via
Gastou seu bolso
Mas sambou desesperado
Comeu confete
Serpentina
E a fantasia...

Levou um tombo
Bem no meio da avenida
Desconfiado
Que outro gole não bebia
Dormiu no tombo
E foi pisado pela escola
Morreu de samba
De cachaça e de folia...

Tanto ele investiu
Na brincadeira
Prá tudo, tudo
Se acabar na terça-feira...

sábado, 7 de novembro de 2009

Zé Ninguém na torre






Lá de cima da torre
Diz seus versos para o Céu,
Para as antenas e nuvens.
Grita com seu sorriso podre
Parecendo um réu
Implorando que vejam, como ele, aquelas imagens.

Moleque que rouba nem sempre é por mal.
Menino que pede nem sempre é marginal.
Moleque que cheira nem sempre procura a onda.
Menino malabarista nem sempre quer despistar a ronda.
Moleque no Capibaribe nem sempre acha divertido.
Menino todo sujo nem sempre é estilo seguido.

Por isso que ele grita
Bem lá do alto pra todo mundo ouvir,
Mas parece não adiantar que repita.
Ouve: - Conversa pra boi dormir!
É só mais um que agita
E ninguém olha pra cima porque a vida tem de seguir.

Não tem ninguém na torre, Zé.
Zé é ninguém na torre.

Zé Ninguém na torre

domingo, 25 de outubro de 2009

FATO CONSUMADO


Eu quero ver você mandar na razão
Pra mim não é qualquer notícia que abala um coração
Se toda hora é hora de dar decisão, eu falo agora
No fundo eu julgo o mundo um fato consumado e vou embora
Não quero mais, de mais a mais, me aprofundar nessa história
Arreio os meus anseios, perco o veio e vivo de memória

Eu quero é viver em paz
Por favor me beije a boca
Que louca, que louca!
Eu quero é viver em paz
Por favor me beije a boca
Que louca, que louca!

Pra quÊ rasgar as folhas?


Amassou e jogou fora.
Jogou fora.
Mas folha amassada
Não é rasgada
Se desamassa e pode-se escrever novamente.

Amassou e jogou fora.
Jogou fora.
Mas escritos de lápis
Se apagam
E na folha branca se pinta o que quiser novamente.

Amassou e jogou fora.
Jogou fora.
Como para esquecer o que estava lá
Escondido, em preto e branco.
E a mente esquece mesmo.

Não rasgue suas folhas.
Escreva suas histórias
Coloridas ou em preto e branco.
Apague, reescreva, pinte as linhas,
Mas não jogue fora as folhas.

domingo, 18 de outubro de 2009

Um presente pra você

Ela mostrou-lhe suas letras, como se fossem um pedaço do seu corpo.
Refletiam tudo que nela havia de lembranças. Tudo que conseguiu guardar.

Ele não achou nada demais.
Envergonhou-se e foi embora sem falar nenhuma palavra, fosse boa ou má.
Simplesmente foi, deixando-lhe de presente aquele vazio que dói.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

TODO MUNDO TEM AMIGOS



Por mais chato que você seja, tem sempre alguém que não se importa com todos os seus defeitos e vê o seu lado bom saltar na frente de tudo!

PARA UMA DENTRE OS MEUS AMIGOS E PARA TODOS AO MESMO TEMPO

Que coisa estranha é um amigo!
Um corpo estranho no seu corpo, que chega e simplesmente se cola em você e não sai mais!
Ser audacioso e maravilhoso que fica lá do seu lado seja pra ler poemas e cantar, seja pra ficar doente e triste.

Você é um corpo estranho no meu corpo! Você está dentro de mim de uma forma que não posso mais tentar lhe expulsar!

Isso não me parece piegas ou vulgar! Não me parece! E isso basta!